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"Sábio não é quem leu 150 livros, mas quem conseguiu amar um livro."

06/06/2007 17:13

ALEXANDRE O GRANDE - DE PLUTARCO

UM HERÓI FIEL À PROFECIA

O Imperador Alexandre sempre estará na moda. O cinema tem-lhe consagrado inúmeras produções e as livrarias estão com as prateleiras cheias de livros sobre o herói macedônio. Comprei no sebo-camelô da Rua augusta o ALEXANRE O GRANDE DE PLUTARCO,da Ediouro, por dez reais.
Sempre tive uma certa predileção pelo personagem por diversas razões. A precocidade na conquista do mundo. O bom senso de governar com os conquistados.O fascínio pelo gesto, viesse de quem viesse. A fidelidade aos amigos. A morte prematura que sempre eterniza os grandes protagonistas.
Nunca senti muitas divergências nas interpretações modernas do nosso personagem. Sua figura permaneceu assim, no meu conceito, como um jovem só virtudes. Creio que a modernidade é mesmo maniqueista, consagra ou denigre inteiramente.
Aprendi na leitura de Plutarco, que os historiadores da antiguidade tem critérios de valor diferentes dos nossos. Não é uma questão de isenção mas de avaliação do homem e seu contexto.
Alexandre tinha todas as virtudes que lhe atribuimos, principalmente a da coragem. Mas sua coragem, para Plutarco, estava sempre aliada a uma desmedida ambição. Sempre o consideramos superior, mas a superioridade relatada pelo historiador, era uma superioridade de classe, ele não apenas se achava acima dos outros como desejava mantê-los abaixo. Quando Aristóteles divulgou obra sobre medicina que era privilégio do conhecimento superior de alguns eleitos, Alexandre ficou furioso. Voce quer igualar todo mundo a nós? Alexandre tinha um amor pelos amigos e especialmente por Hesefion, que nós sempre vimos como um amor inteiramente gay. Plutarco coloca isso na tábula rasa de um sentimento comum a uma certa cultura. Os arrobos de dor e honrarias prestadas ao morto eram apenas decorrentes do status de rei. Era rei e prestava honrarias de rei. Sentia uma dor de rei. Alexandre viu-se livre do pai sem muito pranto, mas manteve uma “certa”submissão à mãe, Olimpíada.
Sempre imaginei Alexandre impondo uma cultura grega aos conquistados como se impunha rei pelas armas. Muito pelo contrário, Alexandre absorvia, assimilava e adotava a cultura persa e meda, até nos trajes, pois as considerava superiores e mais requintadas do que a sua, ainda que isso causasse o desespero dos macedônios. Alexandre, de Plutarco matava com uma crueldade inimaginável, mas, quando reconhecia a coragem e mesmo a pretensão do derrotado, como aconteceu na India, com o rei que lhe respondeu quando perguntou o que ele queria: quero ser tratado como um rei, Alexandre devolveu-lhe o reino.
Sempre imaginei que Alexandre queria construir uma civilização e até deu demonstrações sucessivas disso, mas no fim do livro não há como se perguntar: Afinal o que desejava esse Alexandre da Macedônia? Talvez quizesse apenas provar, como indicara a profecia, que ele era invencível.
Depois de chegar ao fim do mundo, de edificar todas as Alexandrias que desejou, depois de chorar a morte do amigo, quando seus macedônios já estavam de saco cheio com tantas conquistas inúteis, Alexandre retornou e no retorno morreu.


enviada por Jorge da Cunha Lima






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