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"Sábio não é quem leu 150 livros, mas quem conseguiu amar um livro."

20/06/2007 08:52

YO-YO MA - UMA ESTRELA NAS ALTURAS

YO-YO ARREBATA A SALA SÃO PAULO

As estrelas sempre nos assustam. Temos uma certa obrigação de consagrá-las e o temor de nos decepcionarmos.
Yo-Yo nos constrange duplamente, porque sai sempre dos padrões convencionais. Navega por autores e melodias alternativas a dos concertos clássicos. O tango e a música brasileira com que conquistou diversos Emmys. A parceria com Bobby McFerrin, naquela estranha conexão de voz com alguns sons guturais do cello.
Yo-Yo e sua parceira Kathryn Stot na Sala São Paulo, num concerto beneficiente da comunidade hebraica, confirmou seu estado de graça. Com uma juventude exuberante e uma simpatia contagiante conquistou substantivamente o imenso público. Nunca vi a Sala São Paulo tão cheia. Kathryn Stot revelou a mesma vibração, por vezes até demais para uma inglesa.
Yo-Yo Ma tem essa característica de escolher repertórios complementares, nos quais inclue números rigorosamente clássicos, autores modernos e autores latino americanos, o que é raro nos grandes intérpretes internacionais. A exceção de Gimnastera e Villa Lobos quase não os vemos interpretados pelas grandes estrelas.
Para São Paulo, Yo-Yo programou Piazzolla, que aos poucos vai-se afirmando como uma presença necessária e o nosso Egberto Gismonti. Egberto sempre foi uma nota elevada entre os compositores brasileiros. Suas experimentações, seu virtuosismo pianístico e mesmo o uso da “lingua portuguesa”, na música, nem sempre nos permitiram perceber o grande e rigoroso compositor. Yo-Yo colocou os pontos nos ii.
A “Arpeggione” de Schubert dá razão à moderna crítica, que o coloca até mesmo acima do sagrado Mozart. Não discuto com a crítica especializada. Registro apenas.
Shostakovitch é a prova definitiva que um artista pode superar qualquer regime político quando sua obra é maior do que a tirania, mesmo, quando algumas vezes preste algumas homenagens sonoras aos tiranos. Nem Beethoven deixou de fazê-lo. Sua única sonata é um porre de clacicismo embutido num compositor experimental. Yo-Yo mergulhou com sabedoria na obra mais comunicativa de Shostakovich.Ao fim foi literalmente aclamado.
Com Cesar Franck, o resultado foi o mesmo. As redundancias e o crescimento melódico tornam os espectadores íntimos da sonata desde o primeiro movimento. Yo-Yo e Kathryn
Stot dialogam literalmente, como se estivessem dançando.
O púbico pede bis, no que é generosa e apropriadamente atendido.
A estrela baixa das alturas ao patamar do nosso reconhecimento.


enviada por Jorge da Cunha Lima






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