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"Sábio não é quem leu 150 livros, mas quem conseguiu amar um livro."

05/07/2007 17:49

FLIP 2007 - A FESTA DE ABERTURA

DE NELSON RODRIGUES A JOÃO DONATO

Cassiano Machado, diretor da programação anuncia a Festa 2007, dedicada ao maior dramaturgo brasileiro, Nelson Rodrigues.
Barbara Heliodora e a Banda Imperial comandam o espetáculo.
Muita coragem dos organizadors de colocar numa festa com mais de 500 pessoas, num galpão semi aberto, uma conferência de peso.
Barbara Heliodora tem a autoridade do conhecimento. E fala bem.
Fez um passeio de cunho geográfico e dramático por toda a vida e carreira de Nelson. Desde a primeira peça, colou o talento de Nelson na cidade do Rio de Janeiro. Em cada obra, além dos personagens, citava ruas, praças, botequins do Rio. Até mesmo ligava a qualidade da obra à quantidade de citações cariocas, de fala e paisagem urbana. Evidentemente fez pausa nas obras primas. Refletiu sobre a certeza de que com Nelson e Ziembinski começou o moderno teatro brasileiro. Não apenas como texto, mas como encenação. Vestido de Noiva é a maior unanimidade dentro da cultura brasileira. Barbara dedicou-lhe o merecido em sua exposição. Não foi menos enfática com outra obra prima, Beijo no Asfalto. Ficamos com a impressão de que o resto nem seria necessário para a sua consagração, apesar de outra peças geniais como Boca de Ouro e Toda Nudez Será Castigada. Seu didatismo opinativo deixou um roteiro crítico para cada um dos presentes. O resto, sobre Nelson, viria depois.

A Orquestra Imperial, convidou para a mesma abertura o João Donato. Trata-se de um conjunto com uma alegria imperial, composto de 18 músicos, com o destaque para Wilson das Neves, Rodrigo Amarante, Moreno Velloso , Kassin e Domenico, Pedro Sá e duas divas cantantes. João Donato entra no meio, com grande aclamação.
A orquestra é simpática, alegre e vibrante. João Donato dá o ponto, como o cravo nas orquestras barrôcas.
O conjunto não corresponde aos ótimos músicos. Há uma esquizofrenia bem comportada que não permite que os talentos se revelem, nem o conjunto contamine. Falta uma batuta, para que o Império não se transforme numa república de estudantes.
enviada por Jorge da Cunha Lima






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