O que é isso?
  • Jorge da Cunha Lima
  • TV Cultura
    Viva o Centro

"Sábio não é quem leu 150 livros, mas quem conseguiu amar um livro."

03/08/2007 14:23

QUEM NÃO GOSTA DE UM GIBI?

UM CENTRO CULTURAL NA VILA LEOPOLDINA

Há pouco tempo, logo acima da Imperatriz Leopoldina, só havia fábricas e galpões, Hoje, mais de 100 apartamentos de luxo foram construídos nos últimos anos. O SESI Vila Leopoldina mudou de target e em seu imenso patrimônio sócio-esportivo abriu um Centro Cultural.
Ao lado de praças esportivas, academias de ginástica, aulas de ballet e a promessa de um teatro de 240 lugares até março de 2008, um grande espaço foi reservado exclusivamente à cultura, com biblioteca, sala de leituras, espaços musicais etc.
Mas a grande surpresa minha foi encontrar ali uma Gibiteca.
Com edições históricas das melhores revistinhas de aventura publicadas no Brasil e no Mundo, Alvaro Moya, o grande especialista em cartoons de toda espécie, nos traz de volta um mundo encantado.E ainda promete doar toda a sua coleção, que tem revistinhas de 1930 até hoje, ao novo Centro Cultural.
Sou do tempo da grande luta entre o Tocha Humana e o Príncipe Submarino.
Torcia sempre pelo Príncipe Submarino. Tinha um semblante idealista, quase aristocrático, que já encantava meus nove anos. Já o Tocha Humana era mais urbano, violento, com aquele autoritarismo cafageste, que só vim qualificar mais tarde, mas desde entáo me incomodava. E mais, a água batiza e purifica, enquanto o fogo arde e destrói.
O Príncipe defendia o mar contra as investidas dos terráqueos. Talvez numa premunição do que os homens fariam com o mar, poluindo-o ou elevando-o com a água das geleiras aquecidas... Pode ser que o Namour, o nome civil do príncipe já fosse um prenúncio de nossos ecologistas. Só sei que era um guerreiro elegante que, como Ivanhoé, Guilherme Tell e Robin Wood completava meu time de heróis, e até hoje preenchem minhas ilusõs democráticas. Era criança para saber que o Tocha Humana era um delegado do CIA, criado para defender o imperialismo americano e incutir seus valores na cabeça das crianças. Mas creio que percebi isso, por intuição.
Mais tarde, quando na segunda guerra mundial, os EUA estavam no seu apogeu militar e propagandistico, o criador do Principe Submarino foi cooptado a enquadrá-lo a favor dos terráqueos, que os americanos representavam. O fervor da guerra era irresistível. Nosso Robin Wood do mar tornou-se um “marine”, mas nem assim perdí a esperança de vê-lo novamente defendendo o mar.
Vale a pena ver a Gibiteca do SESI Vila Leopoldina e aguardar a promessa de um grande teatro feita pelo presidente Paulo Skaf.

enviada por Jorge da Cunha Lima






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